Dicas Contábeis

EBITDA: Qual o perigo de analisar sem conhecimentos básicos de contabilidade?

EBITDA

O EBITDA ( Earnings Before Interest, Taxes, Depreciation and Amortizatio ) é um indicador Financeiro Altamente perigoso de ser analisado sem conhecimentos básicos de contabilidade. Em Português LAJIDA ( Lucros antes dos Juros, Impostos sobre Renda, incluindo Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, Depreciação e Amortização), provavelmente seja, atualmente, um dos indicadores de performance mais utilizado.

Embora não seja possível confirmar com precisão, provavelmente desde 2005, com o processo de abertura de capitais (IPO), o indicador tornou-se aqui no Brasil ainda mais popularizado. Ele procura retratar o potencial de geração de caixa dos ativos operacionais da empresa. É comum ler ou escutar que determinadas empresas são negociadas em EBITDA de “x” vezes, que uma empresa foi vendida por “x” vezes o EBITDA. Também é comum instituições financeiras incluírem nos contratos de empréstimos cláusulas restritivas e/ou disciplinas financeiras baseadas no EBITDA, além de outras aplicações para o indicador na avaliação da performance das empresas.

Não é preciso ser expert para apurar o valor do EBITDA. Conforme demonstrado na fórmula a seguir, basta excluir a depreciação, a amortização, o resultado financeiro e os impostos sobre o lucro e pronto. Já se tem o EBITDA ou o “potencial de geração da caixa da empresa”.

Fórmula

Resultado líquido:

(+) ou (-) resultado financeiro

(+) depreciação e amortização

(+) ou (-) IRPJ e CSLL

(=) EBITDA/LAJIDA

Com o avanço da utilização desse indicador, muitas empresas começaram a publicar seu EBITDA excluindo alguns valores sob a alegação de que eram saídas ou desembolsos extraordinários e, portanto, não deveriam ser considerados, alargando, assim, o critério do cálculo tradicional. Exemplos de ajustes estão relacionados com as provisões para perdas com ativos, gastos com aquisição de empresas, gastos com reestruturação, e gastos não recorrentes, entre outros ajustes.

A prática de ajustar o EBITDA original causou dificuldades de uniformização do indicador e, consequentemente, de interpretação das informações. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), preocupada com a falta de uniformidade, passou a disciplinar, por meio da Instrução CVM nº 527/12, a metodologia do cálculo para as empresas de capital aberto, estabelecendo que o EBITDA deve ser apurado, exclusivamente, com base nos números apresentados nas demonstrações contábeis, admitindo fazer ajustes, desde que devidamente conciliados e explicadas as origens. Dessa forma, passamos a conviver com o EBITDA e o tal “EBITDA Ajustado”.

Para se ter uma ideia dos efeitos dos ajustes no EBITDA, considerando as demonstrações contábeis de 31 de dezembro de 2018 das empresas listadas no IBOVESPA, exceto instituições financeiras e seguradoras, que totalizaram 54 empresas analisadas, 42 delas apresentaram também o EBITDA ajustado, totalizando a diferença líquida positiva de todos os ajustes o valor de R$ 5,1 bilhões. As explicações dos ajustes são as mais variadas. Cabe ao usuário das informações fazer um juízo de valor a respeito de qual EBITDA é o mais adequado e se as explicações são suficientes para um completo entendimento do potencial de geração de caixa da empresa analisada.

Independentemente de ajustar ou não o EBITDA, a questão crucial também é saber quais são os impactos no referido indicador das políticas contábeis adotadas pelas empresas, em especial aquelas discricionárias.

A seguir, apenas alguns exemplos que podem alterar o EBITDA:

  • Não adotar o ajuste a valor presente para operações de longo prazo ou de curto prazo, se relevantes. Nesse caso, a empresa reconhece uma receita ou despesa/custo, quando o correto seria receita ou despesa financeira;
  • Escolha do valor justo ou custo para mensuração das propriedades para investimentos;
  • Gastos com pesquisa de desenvolvimento ou despesas pré-operacionais que são reconhecidas como despesas, embora possam no futuro ser fonte de geração de receitas e caixa;
  • Mudança no reconhecimento dos contratos de arrendamento mercantis que troca despesas com aluguéis por despesas com depreciação do ativo e encargos financeiros sobre empréstimos;
  • Reconhecimento da variação dos instrumentos financeiros derivativos como financeiro ou operacional,
  • Adotar ou não adotar o hedge accounting;
  • Reconhecimento de variações no patrimônio líquido, como outros resultados abrangentes que, no futuro, podem impactar o resultado da empresa;
  • Taxas de cartão de crédito sobre vendas a prazo ou serviços bancários, sendo reconhecidas como despesas financeiras;
  • Pagamentos feitos por determinadas indústrias para exclusividade de utilização das marcas, que são reconhecidas como intangíveis ou despesas antecipadas, gerando despesas operacional ao longo do tempo ou despesas de amortização;
  • Descontos incondicionais concedidos, reconhecidos como despesas financeiras quando o correto seria como redutora da receita para quem vende e reconhecido como receita financeira e não como redutora do custo para quem compra.

Portanto, analisar o EBITDA sem conhecimentos básicos de contabilidade e seus efeitos no resultado, pode produzir um equívoco significativo, principalmente, se estivermos falando de situações de múltiplos de EBITDA. Nesse caso, vamos multiplicar o erro. Na próxima análise do EBITDA, não deixe de se informar sobre as práticas contábeis. Se o indicador representa o potencial de geração de caixa, imagine o impacto da interpretação se a prática contábil estiver equivocada.

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Sobre o autor

Marcelo José de Aquino

Marcelo José de Aquino é sócio da KPMG Brasil.

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